Robert, o Michael Jordan da Vela, recebe a Cruz do Mérito Desportivo de Fernando Henrique
ZDL 20/09/2002

São Paulo (SP) - O velejador brasileiro Robert Scheidt está de volta ao Brasil. Ele retornou nesta sexta-feira dos Estados Unidos, onde conquistou o título de hexacampeão mundial da classe Laser, um fato inédito na história do esporte olímpico brasileiro. Chamado de Michael Jordan da vela pelo iatista norte-americano Ben Richardson, Robert receberá nesta terça-feira, ao meio-dia, a Cruz do Mérito Desportivo, a maior honraria do governo federal na área dos esportes.

A proposta de homenagem ao campeão olímpico em Atlanta, em 1996, e prata em Sydney, em 2000, foi feita pelo também velejador e secretário nacional de Esportes Lars Grael. Em oito anos de governo, o presidente Fernando Henrique não concedeu o prêmio a ninguém. A Cruz do Mérito será entregue pelo presidente no Palácio do Alvorada. Na oportunidade, Robert vai chegar ao palácio velejando pelo Lago Paranoá. Fernando Henrique e o Ministro dos Esportes e Turismo Caio Luiz de Carvalho enviaram, nesta sexta, telegramas felicitando o atleta.

O atleta paulista, de 29 anos, ficou sabendo da homenagem em telefonema recebido no início da entrevista coletiva, dada logo após voltar ao Brasil, no Yacht Club de Santo Amaro, onde começou a velejar aos 9 anos. Robert ficou muito feliz com a condecoração dada a atletas como Pelé, Ayrton Senna e Nélson Piquet. "É um reconhecimento importante por tudo que tenho conseguido no esporte", comentou o velejador patrocinado pela BrasilPrev, Varig, Bingo Augusta e Volvo Car e integrante da Equipe Permanente de Vela Olímpica Petrobras. "Estou passando pelo momento mais feliz de minha carreira."

Robert acha que a sua campanha em 2002 foi melhor do que a de 2001, quando foi eleito o melhor velejador do mundo pela Federação Internacional de Vela (Isaf) e melhor atleta do país pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB). "Além de ganhar o Mundial da Laser, venci também o Mundial da Isaf e a Semana de Vela de Spa, na Holanda, uma das mais importantes do planeta", lembrou. "Foi duro chegar a número um do mundo, mas é mais difícil ainda manter-se em primeiro."

Durante o Mundial disputado em Cape Cod, nos Estados Unidos, Robert conta que passou por momentos difíceis. Ele lembra que teve de superar a falta de vento e muita tensão nos últimos dois dias de competição. "Acordava no meio da noite e ia para a rua ver se havia vento. Sentia aquele friozinho na barriga, resultado da pressão e da tensão dos momentos decisivos do campeonato."

Jordan da vela - Mesmo com toda a experiência e títulos, Robert diz que sempre entra numa competição como se fosse tentar a primeira conquista. Talvez, por isso, encontre a motivação necessária para ser um dos maiores campeões do esporte brasileiro. Esta condição rende também inevitáveis comparações. O velejador norte-americano Ben Richardson disse que Robert é o Michael Jordan da vela, segundo publicou o jornal The Boston Globe, numa tentativa de explicar o sucesso e o domínio brasileiro na classe Laser. Já o brasileiro Bruno Prada, parceiro de Robert nas disputas da classe Star, diz que seu amigo é o Pelé do iatismo. "Em cima de um barco, ele pode ganhar o que quiser", comentou Prada.

Robert lembra que já foi comparado a Ayrton Senna e ao Guga e que se sente privilegiado com isso.

O seu principal objetivo agora é tentar a sua terceira medalha olímpica nos Jogos de Atenas, em 2004. Antes disso, terá o Pan-Americano de São Domingos, onde tentará o tricampeonato, e mais dois mundiais, na Espanha, em 2003, e da Turquia, em 2004. A intenção é despedir-se da Laser no Mundial de 2005, que poderá ser disputado em Fortaleza. Depois disso, quer dedicar-se a outra classe, talvez a Star, dependendo de sua continuidade na programação olímpica.

Robert lembra que o hexacampeonato não lhe deu a popularidade de um Ronaldinho, referindo-se ao novo atacante do Real Madrid, mas que está contente com o reconhecimento. "Vou ser homenageado pelo presidente da República e na volta ao Brasil dei vários autógrafos no vôo da Varig. Muitas pessoas já sabem que sou eu."

No mundo do iatismo, Robert é venerado. Tanto assim que recebeu em Cape Cod o convite do velejador Peter Fox para acompanhar em março, na Nova Zelândia, a disputa da America's Cup, a mais tradicional competição de Vela Oceânica do mundo. "Faço questão de aceitar o convite, de ver de perto o trabalho das equipes num evento tão especial."

Nesta sexta-feira no final da tarde, Robert viajou para Recife. Ele fará parte da tripulação do catamarã Adrenalina Pura na Regata Recife-Fernando de Noronha, que terá largada neste sábado, ao meio-dia, na Praia da Boa Viagem. A embarcação tentará quebrar o seu recorde na prova, estabelecida há dois anos, com 15h30min59.


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