Robert Scheidt, o primeiro hexacampeão mundial do Brasil, quer mais uma medalha olímpica
ZDL 18/09/2002
O brasileiro garantiu o título ao terminar a primeira regata na 2ª colocação. Nem precisou disputar a última prova do torneio da classe Laser, nas raias do Hyannis Yacht Club

São Paulo (SP) - O velejador brasileiro Robert Scheidt conquistou nesta quarta-feira o título de hexacampeão mundial da classe Laser. Ele garantiu a façanha ao terminar em segundo lugar na primeira regata do dia. Com o resultado, ele nem precisou voltar para a raia do Hyannis Yacht Club e disputar a última regata da competição, na cidade de Cape Cod, Estados Unidos. Robert, de 29 anos, é o primeiro atleta brasileiro a conquistar um hexacampeonato mundial em esportes olímpicos.

"Parece um sonho. A ficha ainda não caiu. Não acredito que já ganhei seis títulos mundiais", disse o velejador logo após deixar o barco, ainda muito emocionado. "Quando senti que havia conquistado o título, me lembrei do meu primeiro mundial, há 12 anos, quando o grande nome da Laser era o austríaco Glenn Bourke, então tricampeão mundial. Agora, vejo que já consegui o dobro de títulos dele e quase não acredito", disse o atleta patrocinado pela BrasilPrev, Varig, Bingo Augusta e Volvo Car e integrante da Equipe Permanente de Vela Olímpica Petrobras (EPVO).

Robert foi recebido por um grupo de brasileiros na saída do porto, quando foi rebocado pelo barco de seu técnico Cláudio Biekarck. "O Brasil tem uma grande colônia por aqui (Cape Cod fica próximo a Boston) e muitas pessoas festejaram a minha conquista. Foi muito legal ver a alegria do pessoal", observou o iatista, que ainda não sabe dimensionar a importância de ser o único hexacampeão mundial brasileiro em esporte olímpico. "Como posso falar sobre isso se nem eu ainda acredito? Deixa a ficha cair primeiro."

Esta foi a terceira conquista seguida de título mundial de Robert (2000, 2001 e 2002). Antes, o brasileiro já havia ganho os torneios de 1995, 1996 e 1997. Com isso, ele passa a ser o único velejador dono de dois troféus de campeão mundial. O troféu é de posse transitória até a terceira conquista. Como ele ganhou seis, comemorou o segundo troféu. "Dei um pouco de prejuízo para os meus amigos da Associação da Classe Laser. Eles vão ter de mandar fazer um novo troféu para o Mundial do ano que vem, que será disputado na Espanha. Este estou levando para casa."

Campeão olímpico em Atlanta, em 1996, e medalha de prata em Sydney, em 2000, ele disse que seu grande objetivo, a partir de agora, será tentar a conquista de sua terceira medalha olímpica, nos Jogos de Atenas, em 2004. "Claro que vou tentar outros títulos antes disso. Tem o Pan-Americano de São Domingos, em 2003, além dos Mundiais da Espanha, no mesmo ano, e da Turquia, em 2004. Mas o objetivo principal será a preparação para Atenas."

Antes do Mundial de Cape Cod, o brasileiro participou da Semana Pré-Olímpica da Grécia, primeiro teste oficial da raia que será utilizada nos Jogos. Na competição, ele não foi bem, terminando em 12.º lugar. "Deu para perceber que o local da Olimpíada é muito difícil, com dificuldades de vento e de correnteza. Apesar disso, o torneio grego foi legal porque não era minha prioridade e me ajudou. Cheguei mais humilde no Mundial. Resolvi disputar, regata a regata, e acabei ganhando a competição que era a mais importante desta temporada."

Pressão superada

Melhor velejador do mundo segundo eleição da Federação Internacional de Vela (ISAF) e melhor atleta do Brasil, segundo o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), em 2001, Robert Scheidt enfrentou muitas dificuldades no Mundial de Cape Cod. Com a responsabilidade de ser um dos favoritos, velejou com vento muito forte e o torneio foi definido com ventos fracos. "O campeonato foi longo e cansativo, principalmente por causa das alterações climáticas", lembrou. "Depois que assumi a liderança, a pressão foi maior ainda. Todos ficaram na minha marcação."

Nas 11 regatas que disputou, o brasileiro conseguiu quatro primeiras colocações, três segundos, um quarto, um quinto, um sexto e um 15.º lugar, este logo na primeira regata, que foi descartado. Na sua última regata na competição, na manhã desta quarta-feira, ele chegou ao contravento ao lado do inglês Paul Goodison e do sueco Karl Suneson. A regata foi encurtada por falta de vento e Goodison acabou vencendo, com Robert em segundo lugar e Suneson em quarto.

O brasileiro volta ao Brasil nesta sexta-feira, dia 20, e concede entrevista coletiva das 9 horas às 10h30 no Yatch Clube de Santo Amaro (YCSA), que fica na rua Édson Régis, 481 (altura do 1.600 da avenida Robert Kennedy).


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